• 10 Propostas para Évora Capital Europeia da Cultura 2027

    May 11, 2020

    Evora Capital Cultura

    A Alentejo de Excelência, considerando a importância que o Projeto “Évora Capital Europeia da Cultura 2027” terá para a região de Évora e Alentejo Central, apresenta um conjunto de 10 PROPOSTA que considera importantes incluir no processo:

    1. Envolvimento dos diferentes sectores na construção de Évora, Capital Europeia da Cultura – consideramos fundamental a participação dos principais sectores – económicos, sociais, educativos, sociedade civil e sector publico desconcentrado – no processo de reflexão e construção da visão e implementação da ECoC 2027. O enorme potencial da cooperação intersectorial, deve-nos impelir para o fomento “compulsivo” da cooperação e trabalho em parceria entre os diferentes sectores. O processo de candidatura deverá, por isso, ser capaz de criar uma verdadeira cultura de partilha, colaboração e trabalho em rede das entidades criativas, culturais, empresariais e publicas, promovendo a realização de iniciativas conjuntas que capacitem, empoderem e se constituam como exemplo para um ecossistema regional mais colaborativo;

    2. Contributo da diáspora na construção da visão da ECoC 2027 – defendemos o forte envolvimento da diáspora alentejana altamente qualificada, proveniente do sector privado, associativo ou institucional, para ser chamada a participar neste processo, contrapondo assim um processo de construção do projeto baseado numa abordagem base place, incluindo os benefícios de uma visão e dimensão holística e de natureza global deste projeto. A ECoC deverá também ser capaz de reforçar a dimensão universalista de Évora, valorizando todas as culturas, religiões e espaços fundamentais de afirmação da cultura portuguesa (CPLP e espaço Ibero-americano), trabalhando para uma aproximação a outros povos e culturas, contribuindo decisivamente para uma sociedade mais tolerante, mais inclusiva e mais aberta ao outro;

    3. Promoção da Investigação e Desenvolvimento e Posicionamento de Évora como cidade de referência para ensino e formação – Deverá ser promovida a investigação e desenvolvimento, produzindo conhecimento aplicado à criação de valor, através da promoção e partilha de projetos de investigação com centros nacionais e internacionais nas distintas áreas, transferindo esse conhecimento para os diferentes agentes sectoriais na região. A excelência da investigação e desenvolvimento é determinante para a fixação e atração de novos residentes. O processo deverá ser capaz de valorizar e potenciar as estruturas de ensino e formação já existentes e as que venham a ser desenvolvidas no território, posicionando Évora como cidade de referência nacional/europeia no ensino, tendo como base o conhecimento e a inovação. Constituir centros de excelência na Cidade/Região é um fator decisivo para alavancar o desenvolvimento qualificado. A ECoC deverá ser capaz de criar dinâmicas nas fileiras das indústrias criativas e culturais, procurando a excelência em determinados nichos e estimulando, simultaneamente, a sustentabilidade económica da produção de cultura, atraindo e fixando talentos/competências que contribuirão para minimizar o problema demográfico regional e acrescentar valor às instituições e à região;

    4. Pensar e desenvolver o Projeto ao nível do Alentejo Central – apesar de já ter sido expresso nos diferentes fóruns, o envolvimento pleno dos municípios, agentes culturais, sociedade civil e empresas dos 14 municípios parece estar ainda muito distante. Para um projeto que seja estruturante ao nível regional, afigura-se imprescindível uma participação comprometida de toda a região do Alentejo Central e, para isso, é urgente a sua participação plena na construção do que se pretende vir a desenvolver. O adiamento neste processo só levará a um não comprometimento com o mesmo;

    5. Garantir infraestruturas estruturantes para o desenvolvimento sustentável – A ECoC deverá ser capaz de diagnosticar, propor e desenvolver algumas infraestruturas fundamentais – físicas, digitais ou institucionais – que perdurem para além do projeto e sejam estruturantes para o desenvolvimento regional. O investimento em infraestruturas não deve, por isso, ser considerado uma componente menor no projeto ECoC 27, podendo vir a ser promovido por entidades públicas ou privadas, devendo isso mesmo deve ser considerado em fase de negociação de fundos. A candidatura deve ainda contemplar um forte investimento na promoção de uma transformação socioeconómica e de gestão pública para paradigmas mais sustentáveis de mobilidade, promovendo também uma maior conetividade regional baseada na mobilidade inteligente;

    6. Criação de comunidades mais participativas e ativas – Deverão ser desenvolvidas iniciativas mobilizadoras das comunidades regionais, promovendo uma maior participação cívica, proactiva, critica e verdadeiramente comprometida com a ECoC, que sejam garantia de continuidade de toda a estratégia pós 2027, criando dinâmicas de laboratórios de participação cívica. Também a cultura de voluntariado deve estimulada e valorizada no projeto, não como instrumento útil ao desenvolvimento de iniciativas, mas como verdadeiro compromisso por uma maior participação das pessoas na vida das organizações, da cidade.

    7. Valorizar a influência mediterrânica – O Alentejo, e o distrito de Évora em particular, têm o vinho, o azeite e outras dimensões mediterrânicas, enraizados na sua cultura há vários séculos, sendo a região alentejana líder destacada no mercado nacional de vinhos de qualidade. É importante promover a dimensão da cultura mediterrânica, e envolver os seus agentes, na construção do projeto. Aprofundar e incrementar esta dimensão de centralidade mediterrânica permitirá ganhar escala e novos territórios de influência da ECoC, bem como contribuir para amenizar diferenças e tensões socioculturais no quadro da geoestratégia regional e da União Europeia.

    8. Equilíbrio entre Cidade e Mundo Rural – A atual crise coloca em evidência a obvia necessidade o potencial natural do território, a paisagem e os recursos naturais, o espaço, sendo importante valorizar esta dimensão de equilíbrio urbano-rural. O Alentejo é uma região de uma extraordinária riqueza natural, a qual deverá ser valorizada no neste contexto. A história, cultura, infraestruturas da exploração agrícola alentejana, com traça arquitetónica única no mundo, desde os montes isolados, aos grandes montes quase aldeias, às localidades de branco caiadas. As tradições rurais, como a bênção das searas, as ferras e as tentas, entre tantas outras, devem ser valorizadas no contexto etnográfico e de preservação da identidade cultural regional. Évora pode também afirmar-se como centro e exemplo de um novo turismo experiencial e imersivo, que valorize os ativos culturais do artesanato, manufatura, saber-fazer ancestrais autênticos, que contrapõem ao crescimento exponencial do digital. Valorizar todos os produtos e saberes já classificados ou protegidos, bem como outros existentes que são singulares e podem estar em risco de desaparecer.

    9. Valorizar o Potencial do Megalitismo e vestígios pré-históricos – A região de Évora e do Alentejo é de uma riqueza inigualável no que diz respeito aos vestígios pré-históricos, como é exemplo o complexo dos Almendres. Esta tem sido uma riqueza histórica que não se encontra devidamente investigada, objeto de salvaguarda e valorizada. Esta será por isso uma oportunidade para promover o conhecimento, a salvaguarda e a promoção cultural.

    10. Dimensão e Valores Europeus – A dimensão europeia está, intrinsecamente, associada ao desenvolvimento da candidatura e os valores da União Europeia – Dignidade do ser humano, Liberdade, Democracia, Igualdade, Estado de Direito e Direitos Humanos – devem ser aprofundados no decorrer do processo e incluídos na estratégia pós 2027, envolvendo as novas gerações no Debate, o Diálogo e a Democracia, aproximando a região ao espirito da construção de um futuro comum para a Europa, garantindo a paz e o bem estar dos cidadãos

    Feito em Évora, em 10 de Maio de 2020

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