• Procura-se país simpático e competitivo para futuros investimentos

    February 18, 2014

    Atracção de investimento! – eis o anseio repetido até à exaustão, por qualquer responsável político, desde um ministro da economia ao presidente de uma pequena autarquia (especialmente, nestes exigentes tempos de eleições). Um desejo legítimo, uma vez que é dos investimentos, especialmente dos de grande dimensão, que surgem os meios para criar empregos, reproduzir riqueza e financiar os serviços públicos que usufruímos.

    Mas, questiono-me, será que todos teremos a real noção das condições estruturantes para tornar um país ou uma região apelativos para atrair os tão ansiados investimentos? Esta não é, seguramente, uma ciência oculta!

    Na semana passada, foi apresentado pelo Fórum Económico Mundial o ranking global de Competitividade. Numa lista de 148 países estudados, Portugal surge em 51.º lugar, baixando duas posições em relação ao ano anterior. Ao contrário do que alguns pensarão, esta classificação não se resume a meros indicadores “economicistas”. A competitividade é aqui estudada num conjunto de áreas: as instituições e seu funcionamento, o nível de regulação, as infra-estruturas, a educação, nível de ensino superior e formação, os mercados de trabalho, a fiscalidade, a inovação e a tecnologia, entre outras que, objectivamente, tornam alguns países mais atractivos e apelativos que outros.

    Não valerá a pena entrar em detalhe, mas talvez perceber como somos avaliados globalmente e como podemos desenvolver, com mais rapidez e eficácia, os nossos esforços de melhoria.

    O diagnóstico é claro, similar aos últimos anos: a economia portuguesa continua a ter maus desempenhos nos mesmos indicadores (clima macroeconómico, desenvolvimento dos mercados financeiros ou a eficiência do mercado laboral) e a destacar-se positivamente em áreas em que apostámos fortemente nas últimas duas décadas (inovação, aptidão tecnológica, educação superior e formação). Aparentemente, também estamos bem colocados em segurança, nas infra-estruturas, no acesso a tecnologias e na saúde – e de destacar a rede de estradas que, pelos vistos, é a 4ª melhor do mundo.

    Então onde devemos actuar? Também aqui, o relatório é claro: nos mercados que permitem o acesso ao financiamento (ex. crédito às empresas), na redução da burocracia e da carga fiscal, na construção de consensos nacionais que mitiguem a instabilidade política ou na revisão das leis laborais, de modo a que facilitem a contratação. E na fiscalidade, claro, onde a reforma do IRC, em fase final de definição, terá um papel importante como factor de atractividade.

    Em suma, se pensarmos de modo global, olhando para o mundo como o nosso mercado, mitigando os nossos pontos fracos e aperfeiçoando os pontos fortes, estaremos no caminho certo. A marca “Portugal” tem, efectivamente, um enorme potencial: contém atributos de simpatia, acolhimento, qualidade de vida e espírito empreendedor. É apreciada lá fora pela maioria dos investidores e gestores que nos conhecem melhor. Criar condições estruturantes cá dentro e comunicar bem lá fora são os requisitos para a economia competitiva que todos ambicionamos.

     

    Carlos Sezões

One Responseso far.

  1. Luís Raposo says:

    Caro Sr.

    Admiro a direcção que aponta, mas falta muita coisa a funcionar para que o seu sonho como o meu funcione.
    A minha área como a sua, ou seja a sustentabilidade de uma região e o seu valor, enquanto sociedade e riqueza.
    Este era talvez o ponto forte do Alentejo.
    Infelizmente não é possível.

    Primeiro, tantos anos que existe pólos inovadores de desenvolvimento local, e se formos ver este link: https://www.ine.pt/ngt_server/attachfileu.jsp?look_parentBoui=263051891&att_display=n&att_download=y compreenderemos que essas entidades pouco ou nada tem feito valer o seu nome.
    Sines Tecnopolo – Sines
    ADL – Santiago do Cacem
    TAIPA -Odemira
    ADPM – Mértola

    Algumas associações, ou entidades que apesar de fazer alguns eventos, não chegam a fazer o necessário para que os Srs. do Instituto Nacional de Estatística, digam por sua vez que o Alentejo é uma região desenvolvida.

    No entanto existe uma “gabarolozisse” por parte de certas entidades como as que descrevi atrás.

    O segredo é trabalharem todos juntos, não é por si só querer ganhar “louros”
    O segredo, é trabalhar com gente que tenha visão de mudar a cultura, e não com “paus mandados” “robotizados”
    O segredo, é um conjunto de outros segredos, na direcção do mais global possível, pois não estamos sozinhos no mercado, ou não estamos sozinhos em todos os mercados.

    Se os investidores não aparecem, é porque tem melhor. será que isto já passou pela cabeça de alguém, ou ainda pensam na Alice no país das maravilhas?

    Caro Sr. já troquei alguns pontos de vista, com algumas pessoas das associações que descrevi, conheço algumas das pessoas que trabalham em algumas dessas entidades, como também concorri para trabalho a algumas dessas entidades.
    Actualmente estou um pouco fora desse circuito.

    Só para terminar…
    Como dizia um antigo colega meu do Porto…
    “Vais ficar no Alentejo a fazer design? isso ai existe um conjunto de compadres que controlam isso tudo e isso nunca ade evoluir”
    há vinte anos que aqui estou, e sempre conhecei assim o Alentejo.

    Pode ser que daqui a mais 20 anos, o INE mude o seu relatório.
    Tenho fé.

    Cumprimentos

    Luís

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