• Évora, cidade do Património…ou Évora, capital Cultural?

    June 30, 2012

    Não muito longe da fronteira, encontramos no coração da Extremadura espanhola a bela cidade de Cáceres. É uma cidade de dimensão média (cerca de 95.000 habitantes), considerada Património da Humanidade pela UNESCO desde 1986, mais ou menos pela mesma altura de Évora. Mantendo o seu cariz medieval, com todo o seu esplendor, é possível encontrar imponentes torres fortificadas, palácios sumptuosos e jardins escondidos em recantos insuspeitos. Com toda esta monumentalidade, sendo um dos centros históricos mais bem conservados da Europa, Cáceres não se contenta, entretanto, em ser apenas uma cidade de património. A cidade aposta em eventos de cultura contemporânea dos quais se destaca, pela sua importância, o WOMAD.

    O WOMAD, correspondente às siglas “World Of Music, Arts & Dance”, é um festival internacional onde se inclui música popular, música étnica, artes teatrais, artes de rua, entre outras actividades. Sendo realizado também em outras cidades espalhadas pelo mundo, celebra-se em Cáceres desde 1992. É um evento vivido e assumido com orgulho por toda a cidade, tenho nos últimos anos atraído audiências na ordem dos 50.000 visitantes. É fácil concluir os benefícios directos e indirectos que uma organização deste nível traz à cidade, em termos de notoriedade, reputação e ganhos para a hotelaria, restauração e comércio tradicional.

    O WOMAD 2012 de Cáceres desenrolou-se no passado fim-de-semana e relembrou-me as semelhanças entre Évora e esta bela cidade espanhola e as diferentes formas de aproveitar a cultura, como estratégia de crescimento e de marketing territorial.

    Será que Évora, com as suas imensas potencialidades, poderia começar a reflectir em passar de um modelo de cidade de Património para um paradigma de capital cultural, com 2 ou 3 eventos-âncora, de cultura contemporânea, que lhe proporcionem ambientes vibrantes e atractivos, como este caso de Cáceres que mencionei antes? Que, por exemplo, proporcionem uma agenda cultural que façam o visitante/ turista ficar uns 3 dias em vez de 1 dia ou meio-dia, como acontece na maioria dos casos?

    Muitas vilas e cidades já o fazem em Portugal, com sucesso – para não ir muito longe lembro-me desde já o Festival Islâmico de Mértola, o festival Músicas do Mundo em Sines ou o Festival Internacional de Chocolate, em Óbidos.

    Com eventos destes, pode concretizar-se uma visão de futuro – Évora, capital cultural, materializada em praças e ruas cheias e gente (turistas de todo o mundo), a fervilharem de restaurantes, cafés, esplanadas, bares e lojas de produtos locais. Obviamente que as infra-estruturas de apoio são importantes…mas o essencial são boas ideias, concretizáveis, com escala para envolver toda a cidade. Com trabalho, envolvimento cívico e vontade política, tudo isto é perfeitamente possível.

     

    Carlos Sezões

    Gestor

     

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