• Empreendedorismo ou o deserto?

    June 30, 2012

    Um palavrão para alguns, um lema de vida para outros, mas afinal o que significa empreender?
    Poderíamos dar várias definições, mas resumidamente empreender é o termo utilizado para descrever actividades que de uma forma inovadora, se destacam na organização, administração, execução e principalmente na geração de riqueza.
    Um empreendedor é considerado por muitos o principal fator de promoção e desenvolvimento económico e social de um país. Um empreendedor transforma oportunidades, ideias e projetos, inspira-se e procura os melhores recursos para transformá-las num negócio lucrativo, não apenas para ele mas para todos os que direta ou indiretamente estão ligados ao negócio mas, fundamentalmente, para a economia onde se insere.
    Apesar de no nosso país, para algumas pessoas e instituições, os empresários serem quase considerados criminosos, são estes que sustentam as instituições públicas, com os impostos que pagam. O emprego, com a sua criação direta e indireta de postos de trabalho. Sustentando também a dinâmica social, cultural e política.

    Se estamos a viver este período mais delicado, se o desemprego continua a crescer, se precisamos de pagar as contas, então precisamos cada vez mais de arregaçar as mangas. De nada nos serve andar a encolher os ombros e a olhar para o chão. Precisamos de ser cada vez mais criativos, resistentes e inventivos.

    Todos sabemos que a economia não está bem, mas ela não parou, está a passar por uma fase de adaptação e a todos nós não nos resta outra hipótese senão acompanhar esta fase.
    As empresas e as pessoas têm, não só nesta fase mas especialmente agora, duas hipóteses ou Mudam ou Morrem.

    Crescemos a ouvir os nossos pais, criando-nos (falsas) expectativas de que temos de ir trabalhar para o estado, aí é que é bom. E depois de lá entrar, estamos garantidos para o resto da vida… Pois este paradigma acabou, para bem de todos, e nessa medida devemos dar cada vez mais importância à ideia de criação do autoemprego. Otimismo é a palavra de ordem para começar. Empreender é um estado de espirito, revela capacidade de iniciativa, vontade de avançar, querer, confiança e resiliência.  Pensar e idealizar algo não é complicado, afinal de contas quase todos temos várias ideias de negócio, mas concretizar é bem mais difícil, dar o passo em frente, aquele “click” é que não está acessível a todos …

    Sair da situação de conforto até chegar realmente à criação da empresa é um das decisões mais difíceis de tomar. O risco é cada vez mais elevado, que ninguém duvide, e o passo final não está ao alcance de todos. Resta acrescentar que na nossa sociedade continua a haver uma grande aversão ao risco, se algo corre bem inveja-se, se corre mal fica-se marcado para o resto da vida.

    Os dados relativamente ao nosso país não são nada animadores, segundo alguns estudos realizados cerca de 50% das empresas criadas desaparecem no fim de dois anos.
    As razões são diversas, mas alguém disse um dia que, o pior naufrágio é aquele que acontece ainda no porto…

    Precisamos com urgência de uma estratégia para o Alentejo, urge trazer uma maior dinâmica empresarial. Precisamos de estimular a criação de emprego, estimular a fixação de jovens e fomentar o empreendedorismo jovem. E isso só é possível integrando a sociedade com as instituições públicas, as universidades com as empresas, os empresários em parcerias para a internacionalização.
    O exemplo deve vir de cima mas o contributo de cada um de nós está nas nossas mãos.
    Só há economia onde há pessoas, por isso, ou queremos que o Alentejo tenha pessoas e dinâmica empresarial ou a profecia sobre o deserto, do ex-ministro Mario Lino concretiza-se…

     

    Hugo Cortes

    Membro da Direcção da Associação Alentejo de Excelência

     

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